Domingo, Setembro 19, 2021

Poeterapia



Poeterapia

 

Brincar com as palavras, fazendo misturas de sentidos, escrever percepções com um toque sutil de criatividade e rimas, é uma terapia para a mente e aquece o coração.
Vamos de Poeterapia? 

Sonhos 

Bolo que não termina,
Rua sem esquina,
Olhos que não se fecham,
Cores não andam sozinhas, vivem e juntas se mesclam.
Sorrisos de ouvido em pé,
Direções certas de marcha ré,
Os sonhos dos impossíveis,
Ousados mas são terríveis,
Acordam, acordam, não dormem,
Cantam mudos, esquecem de respirar,
Moleques e molecas no igarapé,
Não desembocam, já são oceanos,
Lembram? Estão sempre de pé!
Nunca pare pra explicar,
Só explique o que pode parar,
Mas tu és feito de corrida insana,
Daquelas que o coração não se engana,
Sofre de apelos, de esquisitice, e são tantas, são tantas,
Que já nem sei o que é mais sua espécie,
Já transcendeu toda linha entendida,
Não se esquece, não se esquece,
A sua costura fina nesse mundo,
Mundo de tantos arrombos,
O seu tempo é só de sonhos!

(Tico Municci)

 Amar e Ser Amado

Amar e ser amado! Com que anelo
Com quanto ardor este adorado sonho
Acalentei em meu delírio ardente
Por essas doces noites de desvelo!
Ser amado por ti, o teu alento
A bafejar-me a abrasadora frente!
Em teus olhos mirar meu pensamento,
Sentir em mim tu’alma, ter só vida
P’ra tão puro e celeste sentimento
Ver nossas vidas quais dois mansos rios,
Juntos, juntos perderem-se no oceano,
Beijar teus labios em delírio insano
Nossas almas unidas, nosso alento,
Confundido também, amante, amado
Como um anjo feliz... que pensamento!?

(Castro Alves)

“Quem passou pela vida em brancas nuvens e em plácido repouso adormeceu, quem nunca sentiu o frio da desgraça, quem passou pela vida e não sofreu. Foi espectro de homem não foi homem só passou pela vida não viveu.”

(Francisco Otaviano)

Paredes, ruas e portais

Algumas coisas partem de ti,
De uma visibilidade tão única,
Pro mundo é tão invisível,
Mas é tua grandeza tão viva!
Neste mundo de neon,
De gritos digitais,
Dos tempos infernais,
Que se mede só a altura,
Dos vernizes colossais,
Esconde não sei onde,
Tua estranha beleza,
Para essa Era sem destreza,
Do balé da realeza, dos puros e loucos de ideais.
As tempestades de aço,
Que acalmam a superfície,
Do colorido trivial,
Já percebe o som das folhas,
Que não é mais meninice,
São folhas pequeninas,
De coroa angelical.
Não são verdes desses homens,
Que só saem de lamparina,
De suas covas normais,
Essas folhas tem canção,
Talvez a quinta estação,
Tem mais era que primavera,
Mais são do que verão,
Mais eterno do que inverno,
E menos dono do que outono.
Chega a cheia dessa nova lua,
Tanto minha quanto sua,
Mas que nascem só a frente,
Dos que correm abertamente,
Na mais simples e pobre rua.
São os novos tempos Dona!
Que não aceitam mais carona,
Teu lugar tem seu tamanho,
Do tamanho do seu canto,
E não há mais um espanto,
Quando a fina linda brisa,
Retilínea e tão feroz,
Entoar estranhas magias,
Para os surdos tão boçais,
Despedem-se desse canto,
Que viveu no seu jamais,
O canto que vira espaço,
Agora só vive o amor,
Das coisas imortais!

(Tico Municci)

Versos Íntimos


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera

Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!

(Augusto dos Anjos)

Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinicius de Morais)

ENTRE EM CONTATO

Thiago Muniz
Tel.  (16)  9 9283.3792

E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Scroll to top